De tempos em tempos a mídia se posiciona favoravelmente à favor ou contrária ao uso da bicicleta como meio de transporte.

Ainda quando se posicionam favoravelmente, diversos repórteres, por ainda não compreenderam a bicicleta como veículo de locomoção urbana, deslizam e a confundem como objeto de lazer.

Pedalar para ir ao trabalho pode, sim, ser prazeroso, mas existe uma diferença entre se pedalar como locomoção e como esporte/lazer/diversão.

A Revista Ecológico, em sua edição online (12/04/2013) publicou o texto de Dan Lima e Carol Guilen sobre o uso da bicicleta na cidade e merece ser repassado adiante. Abaixo o texto na íntegra.

A cada dia, mais pessoas estão aderindo à moda de ir e vir de bicicleta. Isso é uma ótima mudança pelos inúmeros motivos que já sabemos: redução do número de carros em circulação, redução da poluição, diminuição dos engarrafamentos e por aí vai. Se analisarmos do ponto de vista de saúde, a lista de benefícios cresce ainda mais: melhora do condicionamento físico, exercício para o bom e velho coração, arejamento do cérebro e mais um monte de coisas boas.

Se andar de bicicleta é tão bom para as pessoas e para as cidades porque ainda estamos tão atrasados?

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Por ruas com mais bicicletas e menos carros – Foto: Fernando Weno

É isso mesmo. Se compararmos a realidade das grandes cidades brasileiras com a das demais metrópoles do mundo vamos perceber que estamos muito longe. Em cidades da Europa a bicicleta é veículo de transporte público. Em Barcelona a prefeitura mantém pontos estratégicos de bicicletas públicas onde as pessoas podem retirar as bicicletas,  deslocarem-se e devolverem em outro ponto. Esses pontos são interligados por uma rede de ciclovias que dão segurança e tranquilidade para os ciclistas.

Em terras tupiniquins a coisa é bem diferente. Ainda somos estimulados a usar e comprar carros. Em BH e SP, por exemplo, as prefeituras estão criando ciclovias em algumas avenidas, mas é só isso. Não existem políticas públicas efetivas de estímulo e incentivo às pedaladas. As prefeituras, os governos e afins não facilitam o uso da magrela. Por que não reduzir os impostos sobre as bicicletas? Porque não criar estacionamento para bicicletas nos centros? Porque não criar bicicletários nas estações de metrô e de ônibus? Porque não criar pontos públicos de bicicletas?

Recentemente em BH passei a utilizar o metrô no meu deslocamento diário para o trabalho. Procurei na estação um local para guardar a minha bicicleta, mas fui informado que na Estação 1º de Maio não existem locais disponíveis para as bicicletas e que no metrô elas tem regras muito restritas só podendo circular nos trens depois da 20h30. Enfim, no metrô de BH as bicicletas ainda não são bem vindas.

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Quando se trata de mobilidade urbana é necessário ter coragem e ousadia. Infelizmente nossas autoridades insistem nas velhas e ineficientes alternativas de transporte. Melhorar a mobilidade requer investimentos altos, porém os benefícios são enormes. Quando se relativizar a supremacia do transporte rodoviário no Brasil em favor dos trens, por exemplo, teremos menos mortes nas rodovias. Quando tivermos mais segurança para os ciclistas, vamos ter muito menos horas nos engarrafamentos, ônibus entupidos e outros problemas tão comuns no nosso dia a dia.

Que venham as bicicletas!!