A BH em Ciclo esteve presente na primeira Reunião Preparatória para “Mobilidade Urbana: Construindo Cidades Inteligentes”.

Veja a matéria no site da ALMG: http://www.almg.gov.br/acompanhe/noticias/arquivos/2013/03/01_reuniao_preparatoria_mobilidade_urbana.html

____

O que aconteceu na reunião (Via BH em Ciclo):

A deputada Liza Prado deu início ao evento e disse o quão importante é a realização desse evento para a construção de planos municipais de Mobilidade Urbana nos 178 municípios em Minas Gerais que têm mais de 20000 cidadãos, ou seja, que são contemplados ou pela Lei de Mobilidade ou pelo Estatuto da Cidades.

A deputada pediu que todos apresentassem. Agentes das mais diversas ONGs, empresas e poder público estão presentes.

Hugo Avelar – Fala de como a Assembleia constrói eventos de interesse público e explica que, no limite, o evento é apenas feito na Assembleia, mas os agentes presentes é que são a parte importante para que se tenha bons frutos durante a sua realização. “Desde de aquele que pensa a política até aquele que a recebe, todos são importantes”, diz Hugo.

Deputado Ivair fala dos diversos projetos interessantes na área de desenvolvimento urbano e que a sequência desses encontros, como o de hoje, trazem grandes expectativas para se solucionar o problema da mobilidade urbana no estado. Ele afirma que falta no país fiscalização e que determinadas empresas agem de maneira socialmente incorreta e que não são punidas por isso. Ele incluiu em sua fala a importância das cidades tem espaço para todos e que os deficientes físicos têm sofrido com a construção atual das cidades. O deputado falou das alternativas que existem para o transporte coletivo no estado e que eles precisam ser colocados em prática. Segundo ele, o objetivo da ALMG é buscar soluções junto à sociedade. O Deputado disse que não está vendo presença da BHTrans nas ruas e acredita que agentes da BHTrans presentes nos sinais faz parte de uma solução para o trânsito na capital. Por fim, o deputado agradece e pede desculpas por ter de se retirar.

A deputara Liza Prado retomou a palavra e abriu o microfone para aos presentes.

Katia Ferraz, representante de um movimento de deficientes físicos, disse que poderia se pensar em agregar a Conferência das Cidades a esse movimento para que não se desperdice forças.

O representante do Sindicato dos Taxistas disse que não vê ações efetivas para mitigar os efeitos do trânsito na cidade. Segundo ele, falta um serviço ostensivo (um plano emergencial) para que as grandes avenidas da cidade tenham maior fluxo. Ele disse que sentiu falta de pessoas do SAMU na plenária.

José Aparecido Ferreira – SOS Mobilidade Urbana e outras instituições – Parabenizou a ALMG por trazer o tema para dentro da Casa. Segundo ele, BH está chegando ao caos, mas não por incompetência dos órgãos que regulam o trânsito, mas por ser um fenômeno novo. Segundo ele, BH não tem tantos chamativos para o uso da bicicleta, por conta do relevo e do clima da cidade. José citou que na Europa é mais fácil a utilização da bicicleta, por conta do clima mais frio e do relevo favorável. Citou que se faz necessário a construção de um modelo baseado no transporte coletivo de qualidade. Ele disse que o carro é sonho de consumo de milhões de pessoas e por isso não sairá de cena. Ele disse que aquele discurso politicamente correto de que a cidade é para as pessoas é bom, mas que a cidade é para as 1,5milhões de pessoas que optaram pelo carro . Disse, ainda, que a cidade só irá melhor se fizerem obras para comportar mais carros. Obras grandes e não obrinhas.

O deputado Fred Costa chegou na reunião e passou a presidi-la, mas antes a deputada Liza disse que a data para a próxima reunião tem de ser resolvida.

Sérgio Leôncio, da Sindicato dos Metroviários, cobrou as obras de Betim e disse que onde mais se morreu gente de moto no Brasil foi na região metropolitana de Belo Horizonte. Modernize a linha 1 até Betim e a conclusão da obra do metrô no Barreiro.

Paulo Roberto, da assessoria do Durval Angelo, ele afirmou ter carro e ser usuário do péssimo transporte coletivo na cidade. Ele disse que as leis são importantes, mas que temos muitas delas e que na hora da execução não flui e gasta-se dinheiro demais com isso. Segundo ele, se faz necessária a criação de um plano para a fiscalização para tudo que concerne ao trânsito na cidade. Desde as filas duplas nas portas das escolas até as obras. Paulo disse sobre o processo burocrático para se reclamar do trânsito na cidade com os órgãos responsáveis (PMMG, GM e BHTrans). Ele pediu mais agilidade e efetividade nos serviços de ajuda ao usuário e que a fiscalização do transporte, coletivo ou não, seja, de fato, funcional.

Pedro, da SEDRU, disse que a conferência estadual da Conferência das Cidades terá uma noção mais interdependente e agregadora, condensando diversas temáticas em uma reunião só. Ele citou o Fórum de Mobilidade, do qual a BH em Ciclo faz parte, e informou da importância dele para a cidade. Ele ainda fez referência à realidade de diversas cidades que são contempladas com a necessidade da criação do Plano de Mobilidade. Muitas delas, segundo ele, não têm, sequer, secretarias de planejamento.

O deputado Fred Costa afirmou, assim com Pedro, da SEDRU, que as cidades do interior de Minas Gerais não têm condições de elaborar planos e já estão sofrendo com o problema do excesso dos carros.

Duas pessoas que passaram pelo microfone questionaram o transporte coletivo da cidade e insistiram da necessidade de expansão do metrô na cidade.

Antônio Prata, do CEFET, disse que o CEFET está desenvolvendo um estudo dentre os municípios mineiros que têm entre 60 e 140 mil habitantes e que ele precisa de dados sobre esses municípios. Com relação à mobilidade, do ponto de vista geral, segundo ele, o Detran tem se esforçado para que fosse incluída na grade curricular a educação de trânsito, mas não se vê essas ações e nem a ação do Legislativo e do Executivo junto ao MEC.

Antônio afirmou que em Minas precisa-se trabalhar o trem metropolitano e para outras cidades até chegar ao Nordeste brasileiro. Com relação as pesquisa, ele citou que os órgãos que as fazem precisam de verba e que não têm tido. Por fim, ele comentou que o CEFET tem a área de trânsito desde 1950 e que gostaria que os ex-alunos fossem participar.

Guilherme Tampieri, da BH em Ciclo, afirmou, em resposta a um dos participantes, que o Corta Caminho teve o valor de 251 milhões de reais orçado e 63% desse valor foi executado. Outro programa do governo municipal, o Prioridade do Transporte Coletivo teve orçado 288 milhões de reais e apenas 24% dele foi executado. Com relação ao Pedala BH, o orçamento desse projeto é de 7 milhões e o ínfimo valor de 7% foi executavo. Desses dados, segundo ele, dá para se ter noção de como a prefeitura encara a mobilidade na cidade.

Para o sr. Walter Freitas, Guilherme afirmou não querer comprar carro e sequer ter carteira de motorista. Em resposta ao sr. José Aparecido, Guilherme disse que há inúmeras experiências mundo afora que mitigaram os efeitos do autocentrismo, mas todas elas passaram pelo desestimulo do uso do carro. Citou que em países europeus há neve durante quase todo o ano e as pessoas, nem por isso, deixam de pedalar.

Guilherme, ainda, citou que há estudo que mostram que o uso do carro pode ser comparado ao da cocaína e que as pessoas, infelizmente, podem ser encaradas como viciadas em carros. Por fim, ele citou a frase que tem sido dita há algum tempo : “combater congestionamento alargando vias é como combater a obesidade afrouxando o cinto”.

Katia Ferraz cobrou ações efetivas do poder público. Disse que discutir é sempre válido, mas que é necessário ir para as ruas com as ações.

Matheus Cherem, sociólogo, disse que se pontuou muito bem, até o momento, sobre a necessidade de educação no trânsito e do uso da coerção de quem desrespeitar a vida e sobre o desestimulo ao uso do carro. Segundo ele, se faz necessário atualizar a forma de gerência do transporte municipal em Belo Horizonte. Cherém prosseguiu e citou a importância de se rever os contratos das empresas de ônibus com o poder municipal. Matheus falou que mobilidade não é só ir e vir, mas quem não se move, se exclui da cidade e dos vínculos relacionas que tem com essa mesma cidade. Por fim, mostrou aos empresários que a mobilidade urbana se faz necessária para que as pessoas produzam da melhor maneira possível. Quem fica 2h-3h/ dia no trânsito tende a se estressar mais a cada dia.

José Aparecido pegou a palavra e mostrou que a indústria automobilística é o carro chefe da economia mundial e que, queiram os demais ou não, é nela que o país tem de se apoiar.

O vereador Fred Costa destacou a importância dos vereadores na fiscalização da legislação municipal de uso e ocupação do solo nos municipios e na discussão sobre mobilidade urbana nas cidades.

A BH em Ciclo sai bastante preocupada com os discursos proferidos nessa primeira Reunião Preparatória para “Mobilidade Urbana: Construindo Cidades Inteligentes”. Em nenhuma das falas, para além da BH em Ciclo e do sociólogo Matheus Cherém, ouviu-se, de maneira latente, que o desestimulo ao uso dos carros é parte importante para a melhoria do trânsito da cidade. Muito citou-se acerca da necessidade da construção do metrô e de outros tipos de transporte coletivo, mas apenas como complemento ao uso dos carros na cidade. A circulação de pessoas, por meio da melhoria de calçadas, trazendo acessibilidade ao pedestre, só foi mencionada pela Sr. Katia Ferraz.

Faz-se urgente e necessária a participação de mais pedestres, ciclistas e demais pessoas que compreendem a necessidade de se alterar, profundamente, o modelo de desenvolvimento urbano da cidade, estado e país.

2013-03-01-708