Contagem 2017

Números demonstram que Belo Horizonte tem sim uma tendência ao uso das bicicletas, mas ainda precisa de políticas públicas que estimulem o uso desse modo de transporte. Os dados são uma comparação entre os anos de 2010, 2016 e 2017.  

Em Belo Horizonte, em média um ciclista é visto pedalando a cada 13 segundos e 273 a cada hora. No horário de pico, esse número pode aumentar para um ciclista a cada oito segundos. Esses números fazem parte da pesquisa Contagem de Ciclistas 2017, e tem como objetivo  gerar dados que possam ser usados para orientar e monitorar ações  do poder público e da sociedade civil que estimulem e garantam o direito de usar  a bicicleta como meio de transporte na cidade. Trata-se de uma parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) e já foi realizada outras duas vezes. Comparando as três versões da pesquisa, percebe-se que houve aumento anual desde 2010, mas que atualmente, o número de ciclistas na cidade está estagnado.

Levando-se em consideração apenas os seis pontos contados desde 2010, foram 1.712 ciclistas em 2010, 1.844 em 2016 e 1.808 em 2017, constatando-se um aumento de 7,7% entre 2010 e 2016, ou seja, pouco mais de 1% ao ano e uma leve queda entre 2016 e 2017 de 1,95%, uma queda maior do que o ganho anual entre 2010 e 2016. Para a edição deste ano, foram analisados dez pontos, sendo contempladas todas as regionais de Belo Horizonte.

A contagem foi realizada durante o mês de agosto deste ano, sempre em períodos contínuos de 12h – de 7h às 19h – por meio de contagem visual. Ela foi feita nas avenidas Américo Vespúcio, região Noroeste da capital, Dr. Álvaro Camargos, na região de Venda Nova, Bernardo Monteiro, na região Centro-Sul, Teresa Cristina, no Barreiro, Brasil, na região Centro-Sul, Silva Lobo, na região Oeste, Via 240, na região Norte e as ruas Itaituba, região Leste, Jacuí, na região Nordeste  e Heraclito Mourão, na Pampulha.

Mudanças. Dentre as comparações mais relevantes entre as últimas pesquisas e já fazendo uma análise do perfil dos ciclistas da capital e a necessidade de investimento em infraestrutura, entre 2010 e 2017, percebe-se uma forte perda na tendência de transferência do local onde se pedala na cidade. O uso das ciclovias teve uma queda significativa entre 2016 e 2017, caindo de 52,49% para 37,10%. Com isso temos 62,9% dos ciclistas contados pedalando nas ruas e ou calçadas.

Também foi notado na pesquisa uma redução no percentual de crianças de até 12 anos e de jovens entre 12 e 18 anos. No entanto, houve um aumento no uso da bicicleta por pessoas entre 18 e 40 anos, ou mais de 40. As bicicletas cargueiras também aumentaram se compararmos 2016 e 2017. Elas vão de 1,84% em 2016 para 2,5% em 2018, no entanto, o número aindas está abaixo do que elas representavam em 2010, sendo 4,38% do total de bicicletas contadas na pesquisa.