No Brasil, havia uma lacuna metodológica que permita a avaliação e quantificação da estrutura cicloviária das cidades, de forma padronizada, permitindo a comparação entre intramunicipal e entre municípios. Assim, entendeu-se a necessidade de criar este índice para que se tivesse critérios fixos que indicassem a qualidade no investimento público em estrutura cicloviária. É neste contexto que surge o IDECiclo – Índice de Desenvolvimento de Estrutura Cicloviária, em Recife, elaborado pela Ameciclo – Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife. 

O IDECiclo se propõe a avaliar outros aspectos das ciclorrotas, ciclofaixas e ciclovias existentes nos municípios, para além da extensão (quilometragem). A avaliação da estrutura cicloviária por essa metodologia analisa a extensão total das vias pavimentadas da cidade, com os quilômetros de ciclorrotas, ciclofaixas e ciclovias da cidade, que resultam em um número de “zero” (0) a”um” (1). O “zero” (0) corresponde a uma cidade sem nenhuma estrutura destinada a ciclomobilidade e o “um” (1) corresponde a uma cidade com algum tipo de tratamento às bicicletas em todas as suas vias.

Após sistematização de todos os parâmetros e ponderação, Belo Horizonte obteve uma nota de 0,024. A título de comparação, a nota final do Recife foi de 0,079. Em Olinda, a nota foi de 0,131. O maior IDECiclo entre as quatro capitais que o aplicaram (BH, Brasília*, São Paulo e Recife), por ora, é o de São Paulo, com nota de 0,107.

* Brasília ainda não lançou seus resultados.

A aplicação em BH

Desde outubro de 2018, a BH em Ciclo – Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte, vem vistoriando toda a infraestrutura cicloviária de Belo Horizonte, utilizando-se da metodologia do IDECiclo – Índice de Desenvolvimento Cicloviário. Após mais de 200 km pedalados, em todas as regionais, foram vistoriados todos os aproximadamente 90 km malha cicloviária da cidade, permitindo que a BH em Ciclo pudesse conhecer cada metro da estrutrura cicloviária da cidade. 

Com a aplicação do IDECiclo, teve-se conhecimento sobre quais trechos das ciclovias são os melhores, quais são os piores, em cada um dos 17 parâmetros do Índice, em duas categorias, Conforto e Segurança, e que permitem avaliar diversas tipologias cicloviárias. Tem-se também uma nota total para cada ciclovia e uma para toda a cidade. O resultado do índice pode utilizado para comparar quanti e qualitativamente a situação de uma mesma malha ao longo do tempo e em diferentes cidades. 

Nas palavras de Amanda Corradi, coordenadora do IDECiclo, “A aplicação do índice fornecerá subsídios à formulação de políticas e projetos que estejam em consonância com os objetivos estratégicos do Plano de Mobilidade (PlanMob-BH) da cidade e também com o PlanBici –  Plano de Ação para Mobilidade Urbana por Bicicleta.”

Dentre os objetivos do IDECiclo em Belo Horizonte, lista-se: (i) contribuir na produção e divulgação de informações sobre a mobilidade urbana por bicicleta em Belo Horizonte; (ii) dar subsídio para sociedade civil discutir, dialogar e incidir sobre a infraestrutura cicloviária de Belo Horizonte; e (iii) dar insumos à discussão sobre a política da bicicleta na capital mineira.

Um dos resultados alcançados pelo IDECiclo foi a descoberta que a quantidade de quilômetros cicloviários de Belo Horizonte divulgados oficialmente pela BHTRANS, aproximadamente 89 km, não está correta. O IDECiclo identificou apenas 76 km, uma vez que há trechos sem qualquer tipo de sinalização e também há trechos em que a extensão computada pela BHTRANS é distinta da auferida pela BH em Ciclo, quer seja para mais ou menos. O balanço final, então, apresentou que a cidade possui menos 13,7 km do que o oficialmente publicado pela BHTRANS, deixando Belo Horizonte mais distante da meta do Plano de Mobilidade de Belo Horizonte da capital mineira ter 411 km de malha cicloviária até 2020.

Para Guilherme Tampieri, coordenador do IDECiclo e pesquisador no tema de mobilidade urbana por bicicleta, “a bibliografia tem nos mostrado a importância de se entender uma política da bicicleta em três grandes eixos: infraestrutura em suas várias formas (hardware); arranjos e processos políticos de intercâmbio, diálogos, negociações, aprendizados entre os vários atores (orgware); e processos educativos e formativos (software). A aplicação, sistematização e publicização de um Índice que avalia a condição da infraestrutura cicloviária é parte fundamental do processo de se estruturar o eixo hardware dessa política da bicicleta em Belo Horizonte.

TRANSPARÊNCIA: a aplicaçã do IDECiclo em Belo Horizonte só foi possível com a participação – e seleção – da BH em Ciclo no edital do Fundo Socioambiental, que selecionou projetos a serem apoiados financeiramente. Todo o projeto do IDECiclo, desde o treinamento de pessoas para aplicação da metodologia, passando pelo pagamento da equipe técnica, até a produção do documentário totalizaram R$ 29.000,00. A prestação de contas pode ser acessada AQUI (ainda em atualização).

OS RESULTADOS EM BH

– Acesse o RELATÓRIO COMPLETO com os resultados do IDECiclo BH.

– Acesse as FOTOS da aplicação do IDECiclo em BH.

– Acesse o POWERPOINTutilizado no lançamento do IDECiclo na Câmara Municipal, dia 13/11/2019.

– Veja o DOCUMENTÁRIO sobre o IDECiclo (em breve).

O documentário, produzido pela BH em Ciclo, mostra como surgiu o o #IDECiclo, como foi a aplicação dele em BH e também conta a história de ciclistas que, diariamente, colocam suas bicicletas pelas ruas, avenidas e ciclovias e ciclofaixas da capital mineira. Nas palavras de Marcos Gomes, produtor do documentário e também coordenador do IDECiclo, “mostrar à população o estado da arte das infraestrutura cicloviárias da cidade é uma forma de compartilharmos com todas e todos que se interessam pelo assunto o conhecimento que adquirimos aplicando o IDECiclo. É uma maneira de democratizar o conhecimento técnico e, também, mobilizar e engajar mais gente na luta por uma Belo Horizonte cada vez mais segura, confortável e chamativa para quem se desloca de bicicleta.”

O IDECICLO NA MÍDIA: