A 2ª Cicloformação da BH em Ciclo mostrou o que tem acontecido na cidade no que diz respeito à bicicleta como meio de transporte no contexto urbano.

 

Observando o trânsito de BH, nota-se que a bicicleta tem ganhado cada vez mais adeptos ao seu uso. Muitas pessoas têm encontrado nas pedaladas, a alternativa mais viável para se mover dentro de um trânsito que a cada dia se mostra mais caótico. Foi pensando na necessidade de se aproximar e incentivar os(as) atores que desejam e lutam por uma mudança nesse cenário, para entender, socializar e refletir conjuntamente sobre esse contexto, que a BH em Ciclo realizou, no último sábado, a sua 2ªCicloformação. O objetivo do evento foi conectar pessoas que utilizam a bicicleta na capital mineira e despertar o desejo dos participantes de se comprometerem com a ciclomobilidade em suas múltiplas formas.

O evento, que contou com a participação de cerca de quarenta pessoas, trouxe uma perspectiva mais ampla das possibilidades de avanços rumo a uma cidade mais ciclável. Tanto dentro das esferas do poder público, quanto às ações propostas por movimentos já organizados em torno da pauta. A primeira fala do evento foi a apresentação da BH em Ciclo, que trouxe o histórico da associação, uma breve apresentação do que tem promovido ao longo dos seus cinco anos de atuação e o que tem sido feito recentemente.

A primeira mesa com o tema “Políticas Públicas” foi  iniciada com a fala foi de Thiago Esteves, da Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano (Smapu). Ele apresentou o plano diretor atualizado, onde está incluso o plano de mobilidade, e deu repasses dos andamentos do plano nos âmbitos do poder público. Segundo Thiago, o plano de mobilidade (PlanMob), embora tenha sido elaborado em 2008, só foi regulamentado em 2011 através da lei 10134, e desde então vem sendo adaptado de acordo com as novas demandas percebidas no contexto da mobilidade belo-horizontina. Logo em seguida, foi a vez de Eveline Trevisan, da BHTrans, ex-coordenadora do Programa Pedala BH e participante do GT Pedala BH. Ela apresentou um esboço das propostas da nova gestão para mobilidade, entre elas a criação de Zonas 30 ao redor das escolas. O GT, que foi criado em 2013, segundo Eveline,  possibilitou uma maior participação da sociedade civil nos encaminhamentos que dizem respeito à ciclomobilidade. Em seguida, foi a vez de Amanda Corradi, integrante da BH em Ciclo, que falou do contexto das políticas públicas em BH, na perspectiva da sociedade civil organizada em torno da pauta da bicicleta. Falou da falta de prioridade do poder público na execução dos projetos referentes à ciclomobilidade e chamou a atenção para a importância das campanhas educativas, tão necessárias quanto à implantação de infraestrutura, tendo em vista que a falta de segurança é o principal desmotivador das pedaladas na cidade. Logo depois, abriu-se para o debate.

A segunda mesa, mediada pelo Diego Pessoa, teve como tema  “Legislação federal, estadual e municipal, Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU)”. A mesa discutiu o que pode ser feito a partir da legislação referente à bicicleta. Teve início com a fala do Guilherme Tampieri, membro da BH em Ciclo, que mostrou que dentro da legislação a bicicleta é uma prioridade, porém isso não se reflete na prática na implantação das políticas públicas . Depois, Juliana Moreira, do movimento Nossa BH, apresentou a campanha #D1PASSO, contando sua história desde a idealização, até a apresentação do projeto para os candidatos nas eleições municipais de 2016. A campanha foi construída coletivamente, por diferentes movimentos que discutem mobilidade em BH. Ainda na mesma mesa, Letícia Birchal e André Veloso, do movimento Tarifa Zero, falaram das leis orçamentárias e do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG). Defendendo a importância de se aumentar a acessibilidade do transporte público, fizeram uma breve apresentação do projeto que foi enviada à prefeitura pelo movimento Tarifa Zero em 2013, de realocação do orçamento público no sentido de atender, ainda que não completamente, às demandas referentes à mobilidade em BH.

Depois das mesas, pausa para o almoço, e logo em seguida aconteceu a oficina de mecânica de bicicleta, ministrada por  Marina Rolin sócia da oficina SeatPost e, simultaneamente, foram exibidos 4 curtas com o tema da bicicleta. Logo depois, vieram as apresentações pecha kucha, que conectaram os mais variados temas, como a agroecologia ao uso da bicicleta.

 

Por fim, chegou o momento da mesa aberta – Descentralizando a bicicleta – que trouxe três diferentes perspectivas do ciclismo ao redor de Belo Horizonte: bicicleta e gênero, a mulher ciclista moradora da periferia, e as vivências de um ciclista da região metropolitana de BH. O principal objetivo da conversa foi de compartilhar experiências, discutir o uso da bicicleta com vistas à vulnerabilidade a que, principalmente as mulheres estão expostas com a prática no contexto urbano. Amanda Corradi foi a mediadora da mesa, e os participantes foram Renato Barroso (ciclista de Ribeirão das Neves), Mariana Oliveira (moradora do Santa Efigênia), e Enne Maia (moradora da periferia de Contagem).

A segunda edição da Cicloformação mostrou que, apesar de estar apenas na sua segunda edição o evento reafirmou seu grande potencial formativo e de engajamento de pessoas que querem, elas mesmas, desenhar formas de se alcançar o objetivo de uma cidade mais ciclável.

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